DocBrasil Especial – retrospectiva Thomas Farkas na Fundação Cultural Badesc (julho de 2011)

Thomaz Farkas (1924-2011)

Recebi do José Rafael Mamigonian. Divulgo porque a programação é interessantíssima.

Abaixo a mensagem dele, seguida da programação:

Neste mês de julho, teremos uma programação especial do DocBrasil onde exibiremos uma retrospectiva integral dos documentários produzidos por Thomaz Farkas.

Trata-se de um conjunto de filmes verdadeiramente incontornável não apenas para a compreensão das manifestações populares no Brasil, como para que conheçamos uma das obras mais íntegras, em seu conjunto, da história do documentário brasileiro.

À exceção de “Viramundo”, todos os filmes terão exibição única e estarão distribuídos ao longo de oito sessões (em 8 dias) durante todo o mês de julho (principalmente às quintas e sextas feiras). A programação inicia-se já neste dia primeiro (amanhã) com filmes dirigidos por Thomaz Farkas, além de um breve documentário sobre ele, dirigido por Walter Lima Jr.

Espero que possam estar presentes na Fundação Cultural Badesc para acompanhar o DocBrasil Especial deste mês. Agradeço se puderem repassar este convite aos seus contatos.

Em anexo está a programação.

abraços, até breve,
José Rafael Mamigonian

A Fundação Cultural Badesc tem a honra de apresentar em julho uma programação especial de documentários com a exibição integral dos filmes produzidos por Thomaz Farkas. Ele disse certa vez que “o filme documentário, porque é uma interpretação e não simplesmente uma descrição do real, pode representar um papel importante no processo cultural. No Brasil, ele adquire um significado mais amplo ainda quando se pensa nas distâncias, não somente geográficas mas também culturais. Como apresentar as diferentes manifestações culturais, ligadas a uma realidade especifica em cada região do país, senão através do filme documentário?” Os filmes que Thomaz Farkas produziu e fotografou nas décadas de 1960 e 1970, e os que realizou na década seguinte, obedecem a este impulso: percorrer mais rapidamente as distâncias culturais e geográficas do país.

 

 

 

 O QUÊ: DocBrasil Especial – “Homenagem a Thomaz Farkas”

 QUANDO: dias 1o, 7, 8, 14, 15, 20, 22, 29 de julho de 2011, às 19 horas        

 ONDE: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto,

               216, Centro, Florianópolis, fone (48) 3224-8846

  QUANTO: Entrada franca

  CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE

Programação

 

 

 

 

Sessão 1 – Thomaz Farkas, documentários

Sexta-feira, 1o de julho de 2011  –  tempo total: 111 minutos

 

Thomaz Farkas, Brasileiro  (dir: Wallter Lima Jr., 2004, 15’)

Curta-metragem que homenageia Thomaz Farkas, o húngaro que, nos anos 1970, tornou-se um dos maiores fotógrafos do nosso país e que, com sua visão muito particular do Brasil, foi capaz de produzir, ao lado de Geraldo Sarno e outros grandes diretores da época, uma série de documentários intitulada “A Condição Brasileira”.

Hermeto, Campeão  (dir: Thomaz Farkas, 1981, 44′)

Fotografias apresentam Hermeto Paschoal em meio aos instrumentos que toca no estúdio em sua casa. Os ensaios onde os sons são descobertos e o improviso dá o tom. Depoimentos de Hermeto sobre a construção autodidata de seu conhecimento teórico sobre música e sua posição política sobre o mercado. Os músicos que integram a sua banda falam sobre o processo conjunto de criação e a admiração que sentem pelo multiinstrumentalista. A criação de Hermeto a partir do sons das abelhas e junto aos sapos. A utilização de objetos inusitados feitos de ferro e o uso do próprio corpo para a geração de novos sons.

Paraiso, Juarez  (dir: Thomaz Farkas, 1971, 6′)

O artista Juarez Paraíso percorre o saguão de entrada do Cinema Tupi, na Baixada dos Sapateiros em Salvador, explicando os elementos que compõem seu trabalho. Construída em 1968, a obra é composta por intervenções no teto e por um grande mural que traz como tema a evolução dos meios de comunicação entre os homens. Matéria do Jornal da Bahia denuncia a retirada do trabalho por um engenheiro, com o objetivo de ceder lugar para a fixação dos cartazes dos filmes da semana.

Todomundo  (dir: Thomaz Farkas, 1980, 35′)

As torcidas de futebol e sua presença nos jogos do Campeonato Brasileiro. A chegada dos torcedores aos estádios, as charangas nas arquibancadas, o problema da superlotação, a ação dos cambistas e a presença da Polícia Militar. O jogo entre o Clube Atlético Mineiro e o São Paulo Futebol Clube pela final do Campeonato Brasileiro de 1977. Momentos de jogo entre a Seleção Brasileira e a Seleção Paraguaia.

Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba  (dir: Thomaz Farkas e Ricardo Dias, 1954-2006, 10′)

Em abril de 1954, no Parque do Ibirapuera, e em razão dos festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo, Thomaz Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha com grandes nomes do samba carioca. Este material foi reencontrado 50 anos depois.

À continuação, as demais sessões, com filmes de outros diretores, programadas para o mês de julho de 2011:

Sessão 2 – “Geraldo Sarno, documentários”

Quinta-feira, dia 7 de julho, às 19h  –  tempo total: 87 minutos

 

Viramundo  (dir: Geraldo Sarno, 1965, 37′)
A chegada de nordestinos à cidade de São Paulo ilustrada com depoimentos dos próprios migrantes e músicas com letras de José Carlos Capinan. A busca por trabalho é o grande tema apresentado, e a partir dele, é possível perceber percursos de vidas que se cruzam em uma nova cidade, onde desemprego, caridade e religião ocupam a ordem do dia.

 

Viva Cariri!  (dir: Geraldo Sarno, 1970, 36′)

A cidade de Juazeiro do Norte no Vale do Cariri é conhecida como um oásis em pleno sertão, sendo detentora da maior área urbana do interior do Ceará. Nela, Padre Cícero, misto de coronel político e líder religioso, também foi o maior proprietário de terras da região. A fé do povo em padre Cícero – que aparece em imagens de arquivo – é mostrada em paralelo à discussão sobre o desenvolvimento econômico da região que foi beneficiada por convênios entre a Universidade de Berkeley na Califórnia, a Sudene e o Banco do Brasil.

Eu Carrego Um Sertão Dentro de Mim  (dir: Geraldo Sarno, 1980, 14′)

Com narração baseada em texto de João Guimarães Rosa, são apresentados aspectos do sertão nordestino com depoimentos de Mestre Noza, um imaginário, artesão que se dedica ao artesanato em madeira produzindo imagens para os romeiros; declamação de versos e cantoria na voz de Severino Pinto, cantador profissional de repente; “o Coronel” Chico Heráclio, dono de terras e pai de dois deputados. Vaqueiros em cantoria feita por Raimundo Silvestre dos Santos.


Sessão 3 – “Brasil Verdade”

Sexta-feira, dia 8 de julho, às 19h  –  tempo total: 125 minutos

Memória do Cangaço  (dir: Paulo Gil Soares, 1964, 26′)

Em 1936 o mascate árabe Benjamin Abrahão consegue filmar o famoso bando de Virgolino Ferreira da Silva, o “Lampião”. As imagens, antes perdidas, se misturam às entrevistas com alguns cangaceiros que sobreviveram ao período. De outro lado, depoimentos do Cel. Rufino matador confesso de 20 cangaceiros e do cabo Leonício Pereira que cortava as cabeças dos cangaceiros “para que fossem tiradas fotografias”. Sob uma ótica médica o diretor do Museu de Antropologia da Bahia tenta explicar a predisposição criminal dos cangaceiros a partir de características físicas de seus integrantes.

Nossa Escola de Samba  (dir: Manuel Horácio Gimenez, 1965, 29′)

A escola de Samba Unidos de Vila Isabel entra na avenida no carnaval de 1965. Por meio de texto construído a partir de declarações de um dos fundadores da escola, Antônio Fernandes da Silveira, o China, é possível conhecer um pouco da vida de alguns moradores do morro do Pau da Bandeira no Rio de Janeiro. A preparação para o carnaval: a pesquisa para o tema, a construção dos carros alegóricos, os ensaios, o samba-enredo. A presença crescente da comunidade. Com o enredo “Rio Epopeia do Teatro Municipal” a escola sobe para o grupo especial do carnaval carioca.

Subterrâneos do Futebol  (dir: Maurice Capovilla, 1965, 33′)

As práticas do futebol no Brasil e as questões que cercam o esporte. A imprensa, o jogador como mercadoria, a paixão popular, a prática nos campos de várzea. Os depoimentos de Luiz Carlos de Freitas, uma jovem promessa do Palmeiras, e do técnico Feola, além de uma entrevista com Pelé.

Viramundo  (dir: Geraldo Sarno, 1965, 37′)  [reprise]
A chegada de nordestinos à cidade de São Paulo ilustrada com depoimentos dos próprios migrantes e músicas com letras de José Carlos Capinan. A busca por trabalho é o grande tema apresentado, e a partir dele, é possível perceber percursos de vidas que se cruzam em uma nova cidade, onde desemprego, caridade e religião ocupam a ordem do dia.


Sessão 4 – Paulo Gil Soares, documentários

Quinta-feira, 14 de julho, às 19h  –  tempo total: 123 minutos

Erva Bruxa (dir: Paulo Gil Soares, 1970, 21′)

Erva bruxa é o nome popular pelo qual o tabaco também é conhecido. A plantação de fumo por pequenos agricultores em regime familiar na região do recôncavo baiano. O processamento do fumo. O trabalho sazonal que dura no máximo três meses. A classificação das folhas segundo definição do governo federal, trabalho inteiramente manual, que provoca alergias respiratórias e dermatoses nos trabalhadores. O aproveitamento da matéria-prima na indústria brasileira não ultrapassa os 10 porcento da produção, ficando o restante para a exportação, muito mais lucrativa.

Jaramataia (dir: Paulo Gil Soares, 1970, 20′)

O ciclo de trabalho com o gado em Jaramataia, fazenda localizada em Taperoá na Paraíba, símbolo do mundo rural do nordeste brasileiro. Nela, treze famílias arrendam a terra em regime de meia, sistema em que metade da colheita é dividida com o proprietário, trabalhando no plantio de milho, feijão e algodão. O aboio para tocar o gado. Com o leite, a mulher do vaqueiro se encarrega da produção de queijo e manteiga. Os rezadores curam as doenças do homem e também dos animais, em uma região onde a ajuda médica é escassa.

A Mão do Homem (dir: Paulo Gil Soares, 1969, 19′)

A linha de produção do couro de boi: a retirada da pele, o espichamento, a secagem, a curtição. Os banhos de imersão e lavagem enquanto o couro vai sendo curtido, a seleção das peles em um processo primitivo que prepara a matéria-prima para o comércio. O trabalho de artesãos na cidade de Iburama, Bahia: onde vivem, como vivem, as ferramentas usadas, as técnicas para produzirem selas para cavalo, chapéus, sandálias, bolsas, arreios e roupas. A colocação dos produtos no mercado garantindo lucro para os comerciantes, maiores beneficiados pelo processo.

A Morte do Boi (dir: Paulo Gil Soares, 1970, 11′)

Os grandes rebanhos de gado de corte do nordeste brasileiro, em cada verão, chegam aos abatedouros da Zona Agreste para manter o mercado de carne da região. É um gado pobre, cansado de longas viagens, de pouco rendimento em carne, mas que ainda proporciona lucro aos seus criadores, por ter exigido um investimento mínimo. Nos abatedouros são mortos; e com sua morte, desencadeia-se um ciclo de aproveitamento de produtos e subprodutos numa indústria marginal, sem fiscalização sanitárias, uma quase indústria do ‘lixo’ bovino, que ocupa os familiares dos ‘marchantes’. Aproveita-se tudo do boi: carne, couro, cascos, chifres, estômago, pulmão, intestino, etc., através de métodos e processos primitivos.

Vaquejada (dir: Paulo Gil Soares, 1970, 11′)

A vaquejada é uma festa do ciclo do gado onde os vaqueiros têm oportunidade de mostrar sua destreza e bravura, enfrentando os bois numa pista de oitenta metros. A façanha consiste em derrubar os bois puxando-os pelo rabo dentro dos limites previamente estabelecidos. A vaquejada expressa, em ritmo de competição, a natureza dos próprios trabalhos do campo e cuidados diários com o rebanho criado solto em pastos de engorda.

O Homem de Couro (dir: Paulo Gil Soares, 1970, 21′)

Na complicada hierarquia da zona de pastoreio, o vaqueiro está acima de todas as outras categoria profissionais, embora em alguns trechos da zona rural o cantador também tenha seu lugar destacado e/ou o lavrador sinta-se mais importante por estar diretamente ligado às firmas compradoras de cereais ou fibras. Mas em termos de mito, o realmente corajoso, o bravo, o de destreza assegurada e manifesta em trabalhos rurais, é o vaqueiro. Dele a responsabilidade de levar grandes manadas ao campo, para os pastos de engorda, ou as grandes viagens para as feiras de gado. Dele falam os cancioneiros, nas festas tradicionais que cantam suas lutas contra bois valentes e ardilosos. Com eles sonham as mocinhas nas longas noites sem chuva dos sertões nordestinos.

Frei Damião Trombeta dos Aflitos, Martelo dos Herejes

(dir: Paulo Gil Soares, 1970, 20′)

Nordeste brasileiro, 1969. Frei Damião Bozzano, frade capuchinho, motivo de culto popular, chega à cidade de Taperoá, na Paraíba, para uma das suas costumeiras missões sertanejas em uma visita anunciada pelos cantadores das feiras e mercadores da cidadezinha. A história de vida de Frei Damião remontando a capítulos passados sobre o fenômeno do beatismo no nordeste. Imagens de sua pregação e de cenas de procissão se misturam aos depoimentos de seus seguidores que relatam curas e milagres em nome do frei. Em sua entrevista, o tímido frade sentencia: “o fanatismo é a religião mal entendida”.


Sessão 05 – Sérgio Muniz, documentários

Sexta-feira, 15 de julho, às 19h  –  tempo total: 93 minutos

rastejador, s. m. (dir: Sérgio Muniz, 1969, 24′)

Batista e Joaquim Correia Lima são profissionais que trabalharam como rastejadores, pessoas dedicadas a caçar animais e que posteriormente foram usadas para rastrear pessoas, servindo como fiel e eficiente auxiliar nas volantes, durante o movimento do cangaço no nordeste brasileiro.

 

Beste (dir: Sérgio Muniz, 1969, 20′)

Em julho de 1969 uma equipe de filmagem chega à Santa Brígida, cidade do norte da Bahia. João Batista dos Santos prepara uma ‘Beste’. Beste é a maneira pela qual a palavra ‘besta’ é pronunciada no norte da Bahia. A besta – arma que teve seu apogeu antes do aparecimento da pólvora e dos mosquetões, escopetas, garruchas e demais armas de fogo – deve ter vindo ao tempo da descoberta do Brasil, talvez como arma de caça ou de defesa precária.

Um a Um (dir: Sérgio Muniz, 1976, 15′)

O trabalho da catação manual do café, etapa posterior ao beneficiamento, responsável pela última análise dos grãos antes de serem exportados. Os profissionais envolvidos: o caixeiro, o balanceiro e as mulheres catadoras, que selecionam ‘um a um’ os grãos bons dos ruins.

Cheiro / Gosto: o Provador de Café (dir: Sérgio Muniz, 1976, 16′)

O caminho histórico do plantio do café no Brasil. A cotação. O processo de classificação, trabalho de um homem, o provador de café, cuja atividade profissional depende exclusivamente de funções sensoriais. O início da carreira. A importância de se treinar o paladar e o olfato para se fazer uma boa degustação.

O Berimbau (dir: Sérgio Muniz, 1978, 9′)

Depoimento do instrumentista Papete, com explicação histórica sobre o berimbau na África e a chegada do instrumento na Bahia, que se popularizou, sobretudo, regendo a dança da capoeira. A melhor madeira, a Biriba. A cabaça correta, também conhecida por Poronga. O fio de aço, uma corda 16 de piano. O caxixi, o fio de sisal e a arruela de caminhão, peças para a composição do berimbau. Performance do artista apresentando vários tipos de toques para a capoeira: São Bento pequeno, São Bento grande, Angola, Santa Maria, com a demonstração de capoeiristas.

A Cuíca (dir: Sérgio Muniz, 1978, 9′)

Depoimento do instrumentista Osvaldinho da Cuíca com explicação histórica sobre a presença da cuíca em vários países do mundo e sua popularização no Brasil a partir do carnaval. Osvaldinho dá dicas de como extrair o som do instrumento. Apresentação junto à Escola de Samba Mocidade Alegre da Casa Verde.


 

Sessão 6 – Eduardo Escorel e Sérgio Muniz

Quarta-feira, 20 de julho, às 19h  –  tempo total: 100 minutos

Visão de Juazeiro  (dir: Eduardo Escorel, 1970, 20′)

Em 1969, a cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, inaugurava uma grande estátua de concreto para homenagear seu morador mais conhecido e adorado: o Padre Cícero Romão Batista. No feriado de Finados desse mesmo ano, a romaria e a devoção, o comércio e a política em torno da figura e da imagem do Padre Cícero. Imagens de arquivo mostram a cidade de Juazeiro e a figura do padre, em contato com os fiéis.

Andiamo In’merica – Os italianos no Brasil

(Dir. Sérgio Muniz, 1980, 80′)

No início dos anos de 1980, São Paulo é a terceira maior cidade com presença de italianos do mundo. Sábado à noite, diversas famílias de descendentes italianos comem em uma cantina localizada na Bela Vista e são entrevistados sobre sua ascendência. Em Veneto, Itália, encontram-se pequenas propriedades e aldeias de onde saíram os primeiros imigrantes vindos ao Brasil para a lavoura do café, no final do século XIX. Italiano relata sobre parentes que emigraram para o Brasil enquanto um patrício embarca rumo ao país. A fixação de italianos na região sul brasileira e em São Paulo. A passagem do trabalho rural para o industrial. O surgimento dos sindicatos. Imagens de arquivo exibem Benito Mussolini; uma cerimônia fascista em escola de São Paulo; o interior da fábrica Matarazzo, além de desfiles fascistas durante a Segunda Guerra Mundial.


Sessão 7 – Guido Araújo, Sérgio Muniz, Roberto Duarte, Miguel do Rio Branco, documentários

Sexta-feira, 22 de julho, às 19h  –   tempo total: 113 minutos

A Morte das Velas do Recôncavo (Guido Araújo, 1976, 23′)

O filme retrata a ameaça de desaparecimento do saveiro, a mais típica embarcação à vela da Bahia de Todos os Santos, que durante séculos constituiu destacado componente plástico ou estético do paisagismo baiano, além de desempenhar uma importante função econômica, trazendo das ilhas e cidades do recôncavo o peixe, as frutas e verduras necessários ao abastecimento das feiras da capital.

Feira da Banana (Guido Araújo, 1973, 17′)

Na margem esquerda do rio Jaguaribe, que atravessa a cidade baiana de Nazaré, tem lugar as quartas feiras a tradicional FEIRA DA BANANA. Neste dia da semana, Nazaré se transforma num entreposto de banana de todo o Recôncavo. O escoamento da mercadoria para a capital do Estado é feito em saveiros, que em números de algumas dezenas partem carregados do porto fluvial de Nazaré, com destino a Salvador. O aspecto geo-econômico da cultura da banana na região, sua comercialização e transporte para o mercado consumidor. Um maior destaque é dado ao processo de mutação nos meios de transporte, com a chegada do ferry-boat e o surgimento de novas rodovias, ameaçando o saveiro na sua função econômica e a própria existência da FEIRA DA BANANA.

De Raízes & Rezas, Entre Outros (Sérgio Muniz, Francisco Ramalho Jr., 1972, 38′)

Sebastião é um raizeiro que aprendeu com a vida a retirar da natureza os remédios para todo tipo de malefício que atinge homens e animais. A Quixabeira para curar osso quebrado; a folha de abacate para o tratamento de fígado e rins; a Emburana de cheiro para gripe e o Manacá para doenças sexualmente transmissíveis. Dona Maria da Soledade de Oliveira ensina rezas para afastar inimigos e para abrir portas na vida.

Roda & Outras Estórias (Sérgio Muniz, 1965, 9′)

O sertão nordestino e sua gente, gravuras e esculturas que representam cenas de procissão. No centro da cidade de São Paulo, outdoors com frases de aposta no avanço econômico do país contrastam com músicas de Gilberto Gil.

Ensaio (Roberto Duarte, 1975, 14′)

O crescimento desordenado dos grandes centros urbanos no país e a discussão sobre desenvolvimento e a existência de espaços culturais. A partir do exemplo do Teatro de Ópera de Campinas, edificação que conseguiu consolidar construção e espaço para a existência de uma praça, discute-se o teatro e a arquitetura, pontuando a coexistência futura entre os homens e as cidades.

Trio Elétrico (Miguel Rio Branco, 1977, 12′)

A criação do trio elétrico em depoimento de Osmar, um dos inventores deste tipo de carro de som juntamente com Dodô. Imagens do trio elétrico da dupla, o Novos Baianos, e de vários outros trios elétricos cercados por foliões nas ruas de Salvador – Bahia, durante o carnaval.


Sessão 8 – Geraldo Sarno: Enciclopédia Audiovisual da Cultura Popular

Sexta-feira, 29 de julho, às 19h  –  tempo total: 79 minutos

Os Imaginários (dir: Geraldo Sarno, 1970, 9′)

Os romeiros nordestinos têm o hábito de comprar imagens de personagens em que neles identificam um comportamento exemplar. Talhando a madeira para dar forma a estas figuras, os imaginários, artesãos que fazem imagens de personagens típicos do nordeste tradicional, perpetuam uma tradição que se modificou com o tempo. As formas do artista tradicional se adaptar às exigências do mercado de turismo e a dissociação entre sua consciência e o significado real da obra a que se dedica.

Jornal do Sertão (dir: Geraldo Sarno, 1970, 13′)

A literatura popular de cordel, cantada e escrita, constitui nas feiras e fazendas nordestinas o Jornal do Sertão. As emboladas dos cantadores de coco; cantorias nos gêneros Mourão, Martelo e Dez pés a quadrão. Uma discussão sobre a sobrevivência das mais eficientes práticas de expressão da tradição nordestina frente a influência dos valores do sul.

Vitalino / Lampião (dir: Geraldo Sarno, 1969, 9′)

Do barro de telha ou massapê começa a surgir, pelo trabalho do ceramista Manuel Vitalino dos Santos, uma imagem de Lampião, o rei do Cangaço. Segundo o artista, filho do Mestre Vitalino, o mais famoso artesão do barro do Nordeste, seria preferível abandonar a arte a ter que mudar sua forma artesanal de produção. Tradição e consumo são discutidos quando a arte chega para ser comercializada na Feira de Caruaru em Pernambuco. Marcando a trilha sonora, a voz do cantador Severino Pinto.

A Cantoria (dir: Geraldo Sarno, 1970, 15′)

Os cantadores profissionais Severino Pinto e Lourival Batista se encontram para uma disputa poética, desafios de repente na fazenda Três Irmãos em Caruaru, Pernambuco. Do encontro desenrolam-se Sextilhas, Dez pés a quadrão, Mourão, Martelo e Gemedeira, gêneros de cantoria marcados pela fidelidade às formas tradicionais do improviso e do canto.

O Engenho (dir: Geraldo Sarno, 1970, 10′)

A fabricação da rapadura – açúcar mascavo em forma de tijolos – em um engenho do Vale do Cariri no Ceará. A plantação da cana-de-açúcar em rico solo de massapê, o atraso tecnológico da produção em relação ao litoral, e o consumo final do produto no comércio local.

Pe. Cicero (dir: Geraldo Sarno, 1972, 10′)

Em 1925, a inauguração da estátua de Padre Cícero, com a presença do mitológico personagem. Manifestações contemporâneas da fé popular no mesmo local, com fiéis em romaria, ex-votos. A personalidade de Padre Cícero como administrador, líder político e religioso da cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará.
“O famoso ‘padim’ de milhares de fiéis, devotos e adeptos das suas atividades místicas e políticas, com cenas autênticas da época, numa rememoração do que foi o seu prestígio em todas as camadas sociais.”

 

Casa de Farinha (dir: Geraldo Sarno, 1970, 13′)

“A produção da farinha, elemento básico da dieta do nordestino. A falta de um sistema de regularização da produção. os problemas do pequeno produtor. A venda nas feiras semanais”.

Casa de Farinha (dir: Geraldo Sarno, 1970, 13′)

“A produção da farinha, elemento básico da dieta do nordestino. A falta de um sistema de regularização da produção. os problemas do pequeno produtor. A venda nas feiras semanais”.

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